quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Projeto prepara jovens do interior de São Paulo para o mercado de trabalho


Em Cravinhos, na zona rural Paulista, um projeto de capacitação está transformando a vida de jovens de baixa renda. A iniciativa tem o apoio do Criança Esperança.
Há 15 anos, na rica região da cana, no interior de São Paulo, qual seria o destino de um menino negro e pobre? “Trabalhar na roça ou se envolver no mundo da bandidagem”, responde Luis Fernando. Mas ele trocou a enxada pela escola. “A primeira vez que sentei na cadeira da faculdade, eu vi filho de delegados, filhos de juízes. Eu era o único filho de uma ‘margarida’ e de um pai desconhecido”, conta.
“Me formei na faculdade como bacharel em direito”. Luis Fernando fez parte da primeira turma do projeto Sara. É prova viva de que é possível sim mudar o destino das crianças pobres de Cravinhos. “Nós temos aproximadamente 40 mil trabalhadores rurais no corte da cana-de-açúcar, 10% de mão-de-obra infantil”, revela o promotor Wanderlei Trindade.
Tirar as crianças do serviço pesado no corte da cana foi o primeiro desafio. Os novos tempos foram trazendo outros que vão sendo vencidos com recursos modernos e com aqueles bem antigos, mas que nunca falharam.
“É uma atividade diária persistir, explicar que no mercado de trabalho têm mais pessoas para trabalhar do que vaga, que eles têm que ser melhores. Essa insistência vale a pena no final”, relata Silvia Machione, coordenadora da ONG Sara.
Com os computadores comprados com doações do Criança Esperança, esses jovens entram rapidinho no século XXI. Eles alimentam o corpo e a alma com a alegria e os ensinamentos da música. As aulas de percussão eles adoram, têm uma facilidade... Mas e para obedecer outros comandos? Disciplina, pontualidade, postura. Eles estão na fase do primeiro emprego e pisaram feio na bola. Os patrões reclamavam. O comportamento muda em três meses de curso no qual eles descobrem habilidades, aperfeiçoam leitura e escrita.
Os resultados aparecem nas empresas que contratam os aprendizes. “Hoje eu sou desenhista, mas comecei como os meninos que tiravam cópia”, conta Douglas Faiani. O primeiro salário, Edna Moretti, mãe de um dos alunos do projeto, não esquece: “Chorei. Veio na minha cabeça: ‘Puxa vida, meu filho está trabalhando, meu filho é um orgulho para mim'”. E todos eles são um orgulho para o Brasil.
Postado pro Thiago

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